segunda-feira, 4 de junho de 2012

Médicos e pacientes contra cortes nos tratamentos do cancro

A Ordem dos Médicos e duas associações de doentes oncológicos opuseram-se à possibilidade de cortes em alguns tratamentos contra o cancro. O protesto vem no seguimento de o Ministério da Saúde ter admitido a possibilidade de estes tratamentos deixarem de ser financiados.

A Ordem dos Médicos e duas associações de doentes oncológicos protestaram na passada sexta-feira contra eventuais cortes em tratamentos de cancro. Este protesto veio depois de Fernando Leal da Costa, secretário de Estado adjunto e da defesa, admitir que algumas terapias consideradas de “eficácia duvidosa” possam deixar de ser financiadas pelo Serviço Nacional de Saúde brevemente.

Numa entrevista à Rádio Renascença, Leal da Costa referiu-se a terapias que prolongam a vida dos pacientes por pouco tempo afirmando “essa questão não se pode pôr em termos de prolongar uma semana ou um mês. A questão que se tem de colocar de forma muito clara em cima da mesa – e esse é um exemplo bom, apesar de ser um exemplo extremo – é se, por exemplo, todos os medicamentos que são autorizados para tratar cancro devem ser todos eles utilizados no Serviço Nacional de Saúde. Porventura, não, como já não são em Inglaterra, na Alemanha, em França e por aí fora”.

O Bastonário da OM considerou esta afirmação “gravíssima” e “estigmatizante da medicina praticada em Portugal, desprestigiante para os médicos portugueses e seguramente alarmante para os doentes”.

A fundadora do Movimento Partilha, Lígia Veiga, considera que “dizer a uma pessoa com cancro que ao SNS não deve interessar o prolongamento da sua vida por uma semana ou um mês é completamente perverso e atroz”.

Já o presidente da União Humanitária dos Doentes com Cancro, Luís Filipe Soares, classificou as afirmações como “desumanas”.

Notícia veiculada em diversos orgãos de comunicação social

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